CACIQUE TIBIRIÇÁ


O cacique Tibiriçá é um dos mais importantes líderes indígenas do povo Guaianá de São Vicente, ele tornou-se a peça chave da colonização brasileira e da fundação de São Paulo.

Nasceu em meados de 1440 e foi o primeiro índio a ser catequizado pelo padre José de Anchieta. O nome "Tibiriçá" significa "vigilante da terra" em tupi, também cabendo a expressão "sentinela da serra" e “maioral”. O seu nome de batismo cristão foi Martim Affonso Tibiriçá, em homenagem ao fundador de São Vicente.

Chefe de uma parte da nação indígena estabelecida nos campos de Piratininga, com sede na aldeia de Inhampuambuçu. Irmão de Piquerobi e de Caiubi, índios que participaram da colonização do Brasil, o primeiro como inimigo e o segundo como grande colaborador dos jesuítas.

Em 1513 acolheu o náufrago português João Ramalho que foi aceito na tribo e se casou com Bartira, filha mais velha de Tibiriçá. O cacique Tibiriçá teve diversos filhos com a sua esposa índia Potira, no qual algumas filhas de Tibiriçá casaram-se com portugueses. O casamento de uma de suas filhas (Terebé) com o jesuíta Pedro Dias teve a concordância do Geral da Ordem dos Jesuítas (Santo Inácio de Loiola, então residente em Roma), tendo em vista o interesse da Igreja em um bom relacionamento dos índios com os portugueses. Outra de suas filhas, batizada com o nome de Beatriz Dias, foi mulher de Lopo Dias.

Tibiriçá tornou-se aliado dos colonizadores e grande amigo do explorador João Ramalho. Em 1532 chega o donatário da Capitania de São Vicente, Martim Affonso de Sousa, com outros portugueses. Com apoio de Antonio Rodrigues e João Ramalho, Tibiriçá se aproxima dos colonos portugueses oferecendo apoio. No dia 22 de Janeiro de 1532 é fundada a Vila de São Vicente no território guaianás sob a permissão de Tibiriçá.

Em 1554, Tibiriçá uniu-se a Manuel da Nóbrega e José de Anchieta na fundação de São Paulo, estabelecendo seu povo na área onde hoje está instalado o Mosteiro de São Bento, no centro da capital de São Paulo.

Em 9 de Julho de 1562, o cacique Tibiriçá deu aos jesuítas a maior prova de fidelidade, no qual defendeu com bravura ao ataque da Vila de São Paulo, efetuado pelos índios tupis, guaianás e carijós chefiados por seu sobrinho (filho de Piquerobi) Jagoanharo. O ataque ficou conhecido como "O Cerco de Piratininga" e durante o combate, Tibiriçá matou o seu irmão Piquerobi e o seu sobrinho Jagoanharo, líderes do ataque.

Morreu em 25 de dezembro de 1562 devido a uma peste que assolou a aldeia, sendo que os seus restos mortais estão guardados atualmente na cripta da Catedral da Sé no centro da cidade de São Paulo.

O Padre Anchieta, em carta escrita no dia 16 de Abril de 1563 em São Paulo, exprime-se assim, a respeito desse acontecimento:

"Foi enterrado em nossa igreja com muita honra, acompanhando-o todos os christãos portuguezes com a cêra de sua confraria. Ficou toda a Capitania com grande sentimento de sua morte pela falta que sentem, porque este era que sustentava os outros, conhecendo-se-lhes muito obrigados pelo trabalho que tomou de detender a terra, mais que todos cremos que lhe devemos nós, os da Companhia e por isso determinou dar-lhe em conta nao só de bemfeitor, mas ainda de fundador e conservador da Casa de Piratininga e de nossas vidas."

Em 1580, Susana Dias, sua neta, fundou uma fazenda à beira do Rio Tietê, a oeste da cidade de São Paulo, próximo à cachoeira denominada pelos indígenas de "Parnaíba": hoje, é a cidade de Santana de Parnaíba.

No ano 1932, o artista José Wasth Rodrigues pintou o Cacique Tibiriçá e o seu neto, na tela de 2,31m x 1,45m, que atualmente é parte do acervo do Museu Paulista do Ipiranga.

Em sua homenagem, a rodovia estadual SP-031, ligando Ribeirão Pires a Suzano, foi denominada Índio Tibiriçá.


Fonte:

Site: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Site: Recanto das Letras

Site: Geni

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