UM POUCO MAIS DE ESPIRITISMO – Da Grécia ao Brasil


Na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos a seguinte afirmação de Allan Kardec: “As grandes idéias jamais irrompem de súbito. As que assentam sobre a verdade sempre têm precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos.”, exatamente o que ocorreu com o espiritismo.

Na Grécia antiga (469 - 399 a.C.) o filósofo Sócrates já acreditava na unicidade de Deus, na imortalidade da alma, na existência de vida futura e na possibilidade de nos comunicarmos com o mundo espiritual, princípios que hoje são a base da doutrina espírita. Incentivava os jovens a repensar os preceitos morais da época e compreendê-los por si só e, por isso, foi acusado de corrompê-los e condenado à morte. Porém suas ideias continuaram a ser divulgadas e complementadas por seu discípulo Platão, que se tornou um dos maiores filósofos já conhecidos.

Alguns séculos depois nasce Jesus, homem enviado por Deus com a missão de complementar os princípios introduzidos por Sócrates e Platão, desenvolvendo e dando seu verdadeiro sentido. Através de seus ensinamentos de amor e caridade informou aos homens que a verdadeira vida não está na Terra, mas sim no reino dos céus, nos ensinando o caminho que temos que percorrer para alcançá-lo. Como muitos de seus ensinamentos não puderam ser compreendidos na época prometeu a vinda do “Consolador” que nos esclareceria e nos lembraria de tudo o que Ele havia dito.

Hoje, compreendemos que esse Consolador é o espiritismo, doutrina que foi codificada no século dezenove.

No ano de 1855 o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, soube dos fenômenos das mesas girantes e tendo assistido a uma sessão, percebeu que as mesas sofriam a influência de alguma força invisível e inteligente. Assim, iniciou aprofundado estudo que contou com o auxílio dos espíritos superiores, além de ter sido baseada nos ensinamentos de Jesus, descritos por seus discípulos.

Em 18 de abril de 1857 O Livro dos Espíritos foi publicado e posteriormente outros cinco livros, que completaram as obras básicas. Com isso a doutrina introduziu-se na França, mas passou por dificuldades de aceitação por conta dos costumes da época, sendo praticamente extinta do seu país de origem após as duas guerras mundiais.

No Brasil o espiritismo se inicia na Bahia, onde teriam ocorrido as primeiras manifestações. Luiz Olympio Telles de Menezes, um dos maiores jornalistas brasileiros, teve contato com esses fenômenos e começou a se comunicar com espíritas franceses, inclusive com Allan Kardec. Em 1865, Luiz Olympio funda o primeiro centro espírita com o nome Grupo Familiar do Espiritismo, sendo considerado, também, o pioneiro da imprensa espírita no Brasil.

Nos anos de 1875 e 1876, houve a primeira tradução das obras básicas de Kardec para o português, pela qual foi responsável Joaquim Carlos Travassos. Esse médico residente no estado do Rio de Janeiro buscou conforto na doutrina espírita depois de passar pela morte de sua segunda esposa.

Após a publicação da primeira edição do Livro dos Espíritos em português, Travassos encaminhou um exemplar ao seu amigo, Dr. Bezerra de Menezes.

Sobre o contato com a obra, Bezerra chegou a se manifestar dizendo que “(...) parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença”[i]. Foi assim que se envolveu com a doutrina, praticou e se dedicou com todo amor, amparando ao próximo e se tornando, assim, o médico dos pobres.

Em Minas Gerais o iniciante do espiritismo foi Mariano da Cunha Jr., fundador do Centro Espírita Fé e Amor, na Fazenda Santa Maria, ano de 1900. Criou também a farmácia homeopática do povo que atendeu por mais de 30 anos gratuitamente.

Através de seu tio Sinhô Mariano, Eurípedes Barsanulfo conheceu o espiritismo e teve grande inspiração pelo seu trabalho na caridade. Eurípedes fundou o Colégio Allan Kardec que tinha o objetivo fornecer educação moral e intelectual. Começou também a Farmácia do Povo, em Sacramento, seguindo a mesma filosofia de seu tio. É conhecido como Apóstolo da Caridade.

Na cidade de Uberaba, encontramos Chico Xavier que se dedicou desde jovem à caridade, auxiliado por espíritos benfeitores. Psicografou mais de 400 livros e 10 mil cartas que se espalharam para todo o mundo.

Toda essa trajetória nos mostra que a busca pela verdade não pode jamais deixar de existir. Que devemos constantemente buscar o aprendizado e iniciar nossa prática nas tarefas do bem, fundamentadas nas Leis de Deus.




[i] Segundo entrevista realizada em 1892 pela Federação Espírita Brasileira e publicada no periódico O Reformador. Disponível em: <<Bezerra de Menezes é entrevistado>>.

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